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domingo, 21 de março de 2010

CATIMBÓ

Os malandros têm como principal característica de identificação, a malandragem, o amor pela noite, pela música, pelo jogo, pela boemia e uma atração pelas mulheres (principalmente pelas prostitutas, mulheres da noite, etc...). Isso quer dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro. O malandro de Pernambuco, dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró; no Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira. Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro.











No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do antigo malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro. Alguns quando se manifestam se vestem a caráter. Terno e gravata brancos. Mas a maioria, gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que: “a seda, a navalha não corta”. Navalha esta que levavam no bolso, e quando brigavam, jogavam capoeira (rabos-de-arraia, pernadas), às vezes arrancavam os sapatos e prendiam a navalha entre os dedos do pé, visando atingir o inimigo. Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto. São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá.


Podem se envolver com qualquer tipo de assunto e têm capacidade espiritual bastante elevada para resolvê-los, podem curar, desamarrar, desmanchar, como podem proteger e abrir caminhos. Têm sempre grandes amigos entre os que os vão visitar em suas sessões ou festas.


Existem também as manifestações femininas da malandragem, Maria Navalha é um bom exemplo. Manifesta-se como características semelhantes aos malandros, dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira. Apesar do aspecto, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores principalmente vermelhas e vestem-se sempre muito bem.










Ainda que tratado muitas vezes como Exu, os Malandros não são Exus. Essa idéia existe porque quando não são homenageados em festas ou sessões particulares, manifestam-se tranqüilamente nas sessões de Exu e parecem um deles. Os Malandros são espíritos em evolução, que após um determinado tempo podem (caso o desejem) se tornarem Exus. Mas, desde o início trabalham dentro da linha dos Exus.






Pode-se notar o apelo popular e a simplicidade das palavras e dos termos com os quais são compostos os pontos e cantigas dessas entidades. Assim é o malandro, simples, amigo, leal, verdadeiro. Se você pensa que pode enganá-lo, ele o desmascara sem a menor cerimônia na frente de todos. Apesar da figura do malandro, do jogador, do arruaceiro, detesta que façam mal ou enganem aos mais fracos. Salve a Malandragem!










Na Umbanda o malandro vem na linha dos Exus, com sua tradicional vestimenta: Calça Branca, sapato branco(ou branco e vermelho), seu terno branco, sua gravata vermelha, seu chapéu branco com uma fita vermelha ou chapéu de palha e finalmente sua bengala.


Gosta muito de ser agradado com presentes, festas, ter sua roupa completa, é muito vaidoso, tem duas características marcantes: Uma é de ser muito brincalhão, gosta muito de dançar, gosta muito da presença de mulheres, gosta de elogiá-las ,etc...






Outra é ficar mais sério, parado num canto assim como sua imagem, gosta de observar o movimento ao seu redor mas sem perder suas características.










Às vezes muda um pouco, pede uma outra roupa, um terno preto, calças e sapatos também pretos, gravata vermelha e às vezes até cartola. Em alguns terreiros ele usa até uma capa preta.


E outra característica dele é continuar com a mesma roupa da direita, com um sapato de cor diferente, fuma cigarros, cigarilhas ou até charutos, bebe batidas, pinga de coquinho, marafo, conhaque e uísque, rabo-de-galo; é sempre muito brincalhão, extrovertido.










Seu ponto de força é na subida de morros, esquinas, encruzilhadas e até em cemitérios, pois ele trabalha muito com as almas, assim como é de característica na linha dos pretos velhos e exus. Sua imagem costuma ficar na porta de entrada dos terreiros, pois ele também toma conta das portas, das entradas, etc...






É muito conhecido por sua irreverência, suas guias podem ser de vários tipos, desde coquinhos com olho de Exu, até vermelho e preto, vermelho e branco ou preto e branco.


















História de Zé Pilintra


José dos Anjos, nascido no interior de Pernambuco, era um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulherengo e brigão. Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito. Os policiais já sabiam do perigo que ele representava. Dificilmente encaravam-no sózinhos, sempre em grupo e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam.






Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bondoso, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas.






Sua vida era a noite. Sua alegria, as cartas, os dadinhos a bebida, a farra, as mulheres e por que não, as brigas. Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os incautos, estes sempre dispensava, mandava embora, mesmo que precisasse dar uns cascudos neles. Mas ao contrário, aos falsos espertos, os que se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava os verdadeiros otários. Incentivava-os ao jogo, perdendo de propósito quando as apostas ainda eram baixas e os limpando completamente ao final das partidas. Isso bebendo aguardente, cerveja, vermouth, e outros alcoólicos que aparecessem.










Zé Pilintra no Catimbó


No Nordeste do Pais, mas precisamente em Recife (na religião que conhecemos como Catimbó), ainda que nas vestes de um malandrão, a figura de Zé Pelintra, tem uma conotação completamente diferente. Lá, ele é doutor, é curador, é Mestre e é muito respeitado. Em poucas reuniões não aparece seu Zé.






O reino espiritual chamado “Jurema”, é o local sagrado onde vivem os Mestres do Catimbó, religião forte do Nordeste, muito aproximada da Umbanda, mas que mantém suas características bem independentes. Na Jurema, Seu Zé, não tem a menor conotação de Exu, a não ser quando a reunião é de esquerda, por que o Mestre tem essa capacidade. Tanto pode vir na direita ou na esquerda. Quando vem na esquerda, não é que venha para praticar o mal, é justamente o contrário, vem revestido desse tipo de energia para poder cortá-la com mais propriedade e assim ajudar mais facilmente aos que vem lhe rogar ajuda.






No Catimbó, Seu Zé usa bengala, que pode ser qualquer cajado, fuma cachimbo e bebe cachaça. Dança côco, Baião e Xaxado, sorri para as mulheres, abençoa a todos, que o abraçam e o chamam de padrinho










Nomes de Alguns Malandros e Malandras:


Zé Pilintra


Zé Malandro


Zé do Coco


Zé da Luz


Zé de Légua


Zé Moreno


Zé Pereira


Zé Pretinho


Malandrinho


Camisa Listrada


7 Navalhadas


Maria do Cais


Maria Navalha


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quinta-feira, 25 de junho de 2009


TORÉ E TERECÔ


Toré






O Toré de origem ameríndia, onde as pessoas buscam remédios para sua doenças, procuram, conselhos com os cablocos que baixam. O Mestre defuma receita aconselha. Certamente é o mesmo Catimbó dos arredores dos hrandes cenros nordestinos, onde destituídos de melhores pndições financeiras procuram-no como oráculo, para minorar seus penares e desditas.






No Toré não são invocados espíritos brancos, isto é, espíritos de pessoas que morrera. No Toré baixam só caboclos e também alguns juremados. Juremado é o que está nos ares, quado ainda vivo bebeu jurema ou ao morrer estava sob uma juremeira. O juremado é um espírito em caboclizaçãoo que o torna não perigoso.






Terecô.






É a denominação dada à religião afro-brasileira tradicional de codó. Além de muito difundido em outras cidades do interior e na capital maranhense, o terecô é também encontrado em outros estados da federação, integrado ao tambor-de-mina ou a umbanda.






Em Codó tanto no passado como na atualidade alguns terecozeiros ficaram também famosos realizando trabalhos de magia por solicitação de clientes ávidos por vingança, de políticos ou de pessoas dispostas a pagar por eles elevadas somas o que lhe valeu fama de terra do feitiço. Afirma-se que neste trabalhos e práticas terapêuticas os terecozeiros associam à sabedoria herdada de velhos africanos entos indígenas, práticas do Catimbó e da feitiçaria européia e que também apóiam no tambor-de-mina, na umbanda e na quimbanda que se encontra em expansão no codó.


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terça-feira, 23 de junho de 2009


PAJELANÇA


Não se pode falar em Catimbó sem se referir à Pajelança. Ambos se identificam, muito


embora em regiões diferentes. A Pajelança é uma forma de religião praticada no Amazonas, Pará e Piauí.






Sua prática reúne uma mistura heterogênea de rituais de várias outras religiões. Nela são encontrados ritos de Candomblé, Xangô, Catimb´, Espiritismo, Catolicismo e práticas de origem indígena.






Nas suas reuniões, o Pajé e as demais pessoas presentes bebem o tafiá (cachaça), enquanto o chefe dirigente se prepara para atender aos consulentes.






Após a invocação dos encantados que baixam, é feita a indagação da causa dos males que afligem este ou aquele filho. É também procurada a puçanga (receita) indicada para cada caso.






Os encantados que receitam, geralmente, são almas de animais que encarnam no Pajé. Caso oesse encantado não conheça o remédio eficaz, indica qual o meio a seguir.






O pajé sua sempre na mão o maracá e um feixe de plumas de ema. O único instrumento


musical usado na Pajelança é o maracá que se transformam em instrumento mágico


quando manejado por ele.


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domingo, 21 de junho de 2009


TERÇO, ROSÁRIO E FIO DE CONTAS


O terço e o rosário, junto com o cachimbo são as ferramentas básicos do catimbozeiro que no fundo é um crente. Não pode haver catimbozeiro sem seu terço ou mesa sem o seu rosário. O catimbozeiro pede o que quer no tempo e é na reza que busca a mudança, assim vela, agua benta e crucifixo não podem faltar em casa de catimbozeiro.






Dentro da dificuldade que temos para classificar o Catimbó, uma vez que não é afro-brasileiro e não é kardecista, não é pagão, poderíamos dizer que é um braço misico espírita de crentes. E como se crentes e católicos se ligassem a prática espírita e mística sem se afastar de sua crença religiosa principal. Algo que fica entre o catolicismo do início da idade média e o espiritismo de incorporação tipicamente brasileiro.






O terço virtualmente se transforma no fio de contas do Catimbó, entretanto, em mais um sincretismo com o Candomblé e Umbanda, poderemos encontrar o fio de contas do Catimbó em algumas casas. Ele é feito com lágrimas de nossa senhora, com uma cabacinha que fica na altura do pescoço. Ao longo do fio de contas, varios talismãs são colocados, mas, principalmente uma chave, peça básica no Catimbó.






Enquanto no Candomblé o Fio de contas tem uma finalidade de carcterizaçào hierarquica, de indentificação de Orixá e também ritual, uma vez que ele é imantado com o Axé da mantança, no catimbó nada disso ocorre. O fio é mais uma representação sincrética e decorativa, que não atrapalha, mas, tenho dúvida se tem a eficácia que se espera.






Entretanto o terço, não. Ele é continuamente encantado através da manipulação durante rezas e benzeduras com agua benta. É um instrumento liturgico importante.






O rosário, junto com o crucifixo e o esplendor é a representa máxima da crença. Enquanto o terço é portátil e pode ser transportado com facilidade seja como instrumento sacro ou como talismã de proteção o rosário vai encontrar o sei lugar na mesa de catimbó


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sexta-feira, 19 de junho de 2009


A MESA DO CATIMBÓ


Dentro de toda a simplicidade do Catimbó a Mesa representa a concentração de energias. Sua


representatividade está entre um altar de igreja e um gonga de Umbanda, sem, como sempre no Catimbó, se ligar diretamente com um ou outro.






A mesa não é apenas um local de trabalho mas o altar onde estaram os objetos liturgicos e os assentamentos dos mestres. Não existe um padrão e a sua organização e limpeza será tanto quanto for a do responsável pela casa. Ela tanto pode ser um local limpo com toalha branca e poucos e bem colocados apetrechos de representação como também um local saturado dos fundamentos da Jurema.






É nas mesa que estarão representados os mestres, as cidades e os estados, através dos principes e princesas. Em locais rurais onde existe terreno e espaço os mestres terão o seu assentamento em arvores ou arbustos, geralmente de ervas que tenham ligação com o seu fundamento.






Nesta caso o Catimbó em sua essência se assemelha com o Candomblé onde, na áfrica os Orixás são assentados nas arvores, que são chamadas de Atim do Orixá. No Catimbó é o mesmo, assim como também, na falta de espaço e mata, o assentamento dos mestres é resolvido da mesma forma.






Nos centros urbanos, principalmente, em função da falta de espaço nos locais de culto, troncos da planta são assentados em recipientes de barro e simbolizam as cidades dos principais Mestres das casas. Esses troncos, juntamente com as princesas e príncipes, com imagens de santos católicos e de espíritos afro-americanos, maracás e cachimbos constituirão as mesas de jurema. Chama-se mesa o altar ao qual são consultados os espíritos e onde são oferecidas as obrigações.






A mesa deverá estar enfeitada com flores e velas acesas e não é excepcional se encontrar resplendores de Igreja na mesa em função do profundo envolvimento do Catimbó com o catolicismo.






A mesa deverá estar enfeitada com flores e velas acesas e não é excepcional se encontrar resplendores de Igreja na mesa em função do profundo envolvimento do Catimbó com o catolicismo.






Uma mesa simples seria coberta por uma toalha bem branca que sempre deve ser mantida limpa. Sobre ela, ao centro deve-se colocar o estado ou reino que representa o mestre da casa. À frente dela cruzados os cachimbos de direta e esquerda do Mestre principal da casa. Atrás do estado deve ser colocada uma vela grande que deve permanecer acesa todo o tempo bem como podem ser colocadas algumas imagens de Santos católicos. É importante um rosário feito de lágrima de nossa senhora sobre esta mesa envolvendo ou contrornando o estado, vela e principais imagens.


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quarta-feira, 17 de junho de 2009


CATIMBÓ: A ORGANIZAÇÃO DA CASA


A organização de casas de Catimbó é muito simples, tão simples como as pessoas que o organizam e frequentam. Possivelmente é esta simplicidade que o faz tão fácil de ser entendido e tão forte mesmo em lugares onde existem terreiros de Candomblé, Xangô ou Umbanda.






No Catimbó o gongá é substituído por uma mesa, literalmente uma mesa, sendo que eventualmente estas pode ser o próprio chão do local. Nesta mesa estarão colocadas as princesas e principes com os fundamentos de cada Mestre. Esta mesa poderá conter algumas imagens, principalmente de santos católicos. Não é o padrão os mestres serem representados por imagens em profusão como na Umbanda. Catiçais de vela são essenciais, assim como os cachimbos dos mestres.






A mesa poderá estar em um local central, no caso de os trabalhos serem em volta da mesma, mas normalmente estará em uma posição de destaque, mas nas extremidades da sala.






O resto do espaço liturgico é aberto e não existe separação entre os discípulos, os mestres e a audiência de frequentadores. As pessoas se misturam com todos e existe um acesso informal dos mestres com os frequentadores. Normalmente os discípulos se colocaram em círculo, fazendo a roda da Jurema, cantando e dançando junto com os mestres e os convidados em volta. Na medida em os mestres forem "virando" eles vão estar no centro o Roda ou conversando com os vistantes em volta.






Hierarquia






No alto da organização existe o Mestre principal, o mais poderoso de todos e que é responsável pela casa. Como toda casa tem um dono o mesmo ocorre no Catimbó. Abaixo deste encontraremos os discípulos-mestres que já estão desenvolvidos e trabalham com seus mestres com seus cachimbos consagrados. A seguir estarão os demais discípulos em estágio de desenvolvimento, com ou sem o seu cachimbo.






O processo de desenvolvimento é gradual, mas, não segue as rígida estrutura de liturgias de Xangôs e Candomblés. Os mestres irão se acostar nos discípulos na medida em que quiserem e o discípulo irá aprendendo com seu Mestre na medida do seu desenvolvimento. O poder mágico é lentamente obtido e mais de um mestre poderão trabalhar com cada discípulo.






Um discípulo será tão importante quanto forte seja o seu Mestre nos trabalhos e cura e ajuda aos frequentadores e também o quanto de poder e magia este mesmo discípulo tenha no trabalho não incorporado através do seu cachimbo. O trabalho no Catimbó pode ser feito sem a incorporação e os discípulos desenvolvidos devem ter a capacidade de invocar o trabalho mágico dos seus mestres sem estes estarem acostados. Esta é a medida do poder e força de um discípulo.


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segunda-feira, 15 de junho de 2009


A ORIGEM DO CATIMBÓ


O Catimbó é, sem duvida nenhuma, de origem índia. Sem voltar às descrições antigas da pajelança e aos primeiros contatos entre o catolicismo e a religião dos índios, inclusive àqueles fenômenos de “santidade” que conhecemos tão bem através das informações do Tribunal do Santo Ofício, sem tentar traçar a genealogia histórica do Catimbó, encontramos ainda hoje entre o puro índio e o homem do Nordeste toda a gradação que nos conduz pouca a pouco do paganismo do Catimbó.






O Catimbó de hoje é o resultado desta fusão da prática pagã inicial dos índios com o catolicismo sobre o qual construiu a base da “ religião” . É impossível dissociar o Catimbó do catolicismo e de outras tradições européias, provavelmente adquiridas dos holandeses, mesmo após as influências que recebeu do Candomblé e do kardecismo.






Podemos considerar que a mesma falta de força étnica que fez com que os índios fossem antropologicamente sobrepujados por outras culturas fez com que o Catimbó perde-se a sua identidade índia original (pajelança) e adquirisse os rituais importados de outras práticas religiosas mais “fortes”. Neste caso contribuiu muito a falta da cultura escrita que fez com que na medida em que os próprios índios eram extintos a prática religiosas Xamanista fosse sendo perdida ou diluída.






Entretanto do Xamanismo original foram preservadas as ervas e raízes nativas como base de todos os trabalhos e na prática da fumigação com fumaça de cachimbos e fumos especialmente preparados o elemento mágico de difusão.






Para o índio, o fumo é a planta sagrada e é a sua fumaça que cura as doenças, proporcionando e êxtase, dá poderes sobrenaturais, põe o pajé em comunicação com os espíritos.






Os primeiro elementos do Catimbó que devemos lembrar é o uso da defumação para curar doenças, o emprego do fumo para entrar em estado de transe, a idéia do mundo dos espíritos entre os quais a alma viaja durante o êxtase, onde há casa e cidades análogas às nossas. A grande diferença é que a fumaça na pajelança é absorvida, enquanto no Catimbó ela é expelida. O poder intoxicante do fumo é substituído aqui pela ação da jurema.






O Catimbó se desenvolveu diferentemente no interior e no litoral, nas capitais. As influências de outras práticas religiosas mais fortes em cada um deste locais acabam determinando o formato do Catimbó. Podemos dizer que quanto mais para o interior mais simples ele será devido a menor influência das religiões africanas.


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sábado, 13 de junho de 2009


O CATIMBÓ


O Mito, o preconceito e o erro na definição






Entre muitos que freqüentam terreiros de Umbanda e Candomblé, Catimbó é sinônimo da prática ou seja da macumba em sí. Para outros, de Umbanda, trabalhar no Catimbó está associado ao uso de forças e energias de esquerda ou negativa. Esta é uma visão equivocada. Qualquer prática mágica pode ser usada com qualquer finalidade, mas, o objetivo do Catimbó é a evolução dos seus Mestres através do bem e da cura. Se o mal é feito, isto pode ocorrer pelo erro do medium ou pela necessidade de justiça a quem pede.






Catimbó é de base religiosa catolica e não afro-brasileiro






O Catimbó é uma prática ritualista mágica com base na religião católica de onde busca os seus santos, óleos, agua benta e outros objetos litúrgicos. É também uma prática espirita que trabalha com a incorporação de espíritos de ex-vivos (eguns ou egunguns) chamados Mestres e é através deles que se trabalha principalmente para cura, mas também para a solução de alguns problemas materiais (como a Umbanda) e amorosos, mas, é importante destacar que a prática da cura é a principal finalidade.






Não se encontra no Catimbó, nas suas práticas e liturgias os elementos das nações africanas de forma que classificar o Catimbós como uma seita afro-brasileira é um erro. Mestres não se subordinam a Orixá e fora o aspecto de que certamente ele é, também, praticado por Negros não existe outra relação direta com a religião africana.






Para aqueles que consideram o Catimbó afro-brasileiro eu apenas pergunto: Onde estão os elementos Afro-brasileiro?






De fato a mitologia e teogonia do Candomblé é rica e complexa, a do Catimbó é pobre e incipiente, seja porque a antiga mitologia indígena perdeu-se na desintegração das tribos primitivas, na passagem da cultura local para a cultura dos brancos, que estavam dispostos a aceitar os ritos, porém não os dogmas pagãos, na sua fidelidade ao catolicismo – seja porque o Catimbó foi, mais, concebido como magia do que como religião propriamente dita, devido sobretudo aos elementos perigosos e temíveis e às perseguições primeiro da igreja e depois da polícia.






Além dos dogmas da religião católica o Catimbó incorpora componentes europeus como o uso do caldeirão e rituais de magia muito próximos das praticas Wiccas. Tanto dos europeus como dos brasileiros o uso de ervas e raízes é básico e fundamental nos rituais. Cada Mestre se especializa em determinada erva ou raiz.






Não existe Catimbó sem santo católico, sem terço, sem agua benta, sem reza, sem fumaça de cachimbo e sem bebida, que pode nem sempre ser a Jurema (como eu disse Catimbó não é o Santo Daime).


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quinta-feira, 11 de junho de 2009


NÃO É UMBANDA NEM CANDOMBLÉ


O Catimbó é uma manifestação de Umbanda, no sentido amplo que esta palavra tem, mas, não pode de longe ser confundido com uma religião afro ou com os formatos tradicionais de Umbanda.






No Catimbó não há promessas, votos, unidade do protocolo sagrado. É um consultório tendendo, cada vez mais, para a simplificação ritual. Não há festas votivas, não há corpo de filhos-de-santo para louvor divino dos Orixás nem preparação obediente de laôs.






De instrumentos musicais resta a marca-Mestre, cabacinha na ponta de uma vareta, com que o Mestre divide o compasso das linhas. Contudo os Catimbós absorveram facilmente os atabaques da umbanda trazendo o seu ritmo e musicalidade. Não há cores formais, vestidos , contas (apesar de existirem fios-de-conta de Catimbó, feitos com a cabaça e lágrimas de Nossa Senhora), enfeites especiais nem alimentos privativos, fetiches de representação.






Catimbó não é Macumba nem Candomblé, permanece isolado, diverso, distinto. No Catimbó, os que acostam são catimbozeiros falecidos. Não há um só Mestre que não tenha vivido na Terra. Nas Macumbas e Candomblés passa o sopro alucinante das potestades africanas, deuses nascidos misteriosamente, com poderes espantosos.






No Catimbó não se louvam orixás africanos e raro são trabalhos de chão. As coisas no Catimbó são simples e baratas feitas para serem acessíveis à população que o Catimbó serve. O Catimbó se serve de uma vela, fitas, cascas, folhas, fumo e bebida para realizar os seus trabalhos. Normalmente as coisas são resolvidas na própria roda de Catimbó.






Os caboclos podem ser vistos no Catimbó, mas, não são eles a base ou o objetivo principal. Caboclo é coisa de UMBANDA.l Catimbó trabalha através de Mestres.






Como já citado o fato de entidades típicas de Umbanda aparecerem no Catimbó devido a origem do mediuns e ao fato de existir uma entidade comum chamada de Zé Pilintra faz com que se imagine que Catimbó seja uma forma de Umbanda no Nordeste. Como é explicado neste sítio, não é. Muito se tem pesquisado sobre a origem do Zé Pelintra da Umbanda no Catimbó, uma vez que esta é uma entidade urbana que nada tem com a origem dos mestres.






Tudo no Catimbó se faz com a linha de licença, onde se fala, sisudamente: “Com o poder de Jesus Cristo, vamos trabalhar”. Das centenas canções recolhidas no arquivos catimbozeiro, nenhuma alude a um encantado e infalivelmente a Deus, Santíssima Trindade, Santos, às almas. Só encontrei duas que se dirigiam às estrelas e ao sol. O espírito é religioso, formalístico, disciplinado, respeitoso da hierarquia celestial. Ninguém numa Macumba ou terreiro de Candomblé, admite licença de Jesus Cristo para Xangô, nem santo católico atende ao chamamento insistente dos tambores.






Zé Pelintra na Umbanda


"Seu" Zé Pelintra é uma entidade muito popular na Umbanda Carioca. Praticamente todo centro tem o seu e ele estabelece um culto muito próprio. Zé Pelintra é Exu na Umbanda, sendo representado com terno branco, gravata vermelha, cravo na lapela, chapéu caido na testa, caracterizando a figura do malandro. Sua história de vida indica que foi um homem que bebia muito, não obedecia ninguém, se envolvia com o sub-mundo, jogo e principalmente com prostitutas.






Quando "baixa" na Umbanda vem acompanhado de toda a linha de malandros, entidades oriunidas de pessoas que tiveram este tipo de vida, viviam e morros, jogos, bebidas fortes e drogas. Existem alguns centros que fornecem drogas para as entidades quando incorporadas, é claro, que esta é uma prática deplorável e muito pouco tem haver com os princípios da Umbanda, mas apenas exemplifica o tipo de comportamento desta linha de entidades.






Assim Zé Pelintra é malandro e por isso uma grande parte das pessoas se identifica com esta entidade, sendo que as pessoas, mediuns ou clientes, chegam ao absurdo de considerá-lo "amigo" deles (Exu não é amigo de ninguém). Outro detalhe é que Zé Pelintra, mesmo na Umbanda, não é Exu de frente de ninguém, posição normalmente considerada de importância o que podemos deduzir que sua influência não seja indicada para os médiuns.






Como na Umbanda cada entidade dá o nome que quiser a sí mesma podem existir vários Zé Pelintra ao mesmo tempo em uma seção. Um é o do praça outro é o do morro, outro é da esquina da equerda, outro o da esquina da direita, etc... A Umbanda é muito esquisita e brinca muito com a credulidade das pessoas, por isso que está no buraco que está.






Catimbó e Umbanda


Na medida em que o Catimbó entra na área urbana, território típico da Umbanda, ou mesmo a Umbanda vai para o interior estas duas práticas tem que se encontrar. É neste momento que certamente Zé Pelintra entra para o Catimbó.






Isto certamente ocorre nos centros onde pessoas de Umbanda também trabalham com mestres e provavelmente já eram de Umbanda e absorvem o Catimbó em um movimento muito típico da Umbanda que absorve qualquer coisa. Possivelmente é nesta hora também que as pessoas passam a considerar oo Catimbó um culto afro-brasileiro.

Um comentário:

  1. Triste ver pessoas como você se referindo a umbanda com essa total falta de respeito. Na umbanda os exus são tratados com respeito. E os nomes eles trazem não são inventados não. Vai estudar porquê pelo visto você não entende nada de umbanda ou melhor de religião nenhuma. Por causa de gente como você que a umbanda e candomblé estão dessa maneira. Então faz um fica no seu quadrado e não faça testos preconceituosos como esse. Detalhe seu traca Rua e meu amigo. E vai se informar ou você deve frequentar algum beco O senhor José Pilantra nunca se intitulou pai de ori de ninguém. Vou parar por aqui porquê o inicio do texto até estava aproveitável. Porquê o final foi deplorável e preconceituoso. Salve a umbanda salve todos os exus amigos de todas as horas.

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