Saravá, Mucuiú, Motumbá!
Babalorixá e Iyalorixá são cargos sacerdotais do Candomblé da nação ketu, e querem dizer Pai de Orixá ou Mãe de Orixá.
Nos candomblés de Angola são utilizados os correspondentes Tata ti Nkice e Mameto ti nkice.
Não são cargos de Umbanda, você tem toda razão, mas nada impede que umbandistas sejam iniciados no culto aos Orixás e venham a receber o deká, recebendo então o título de Babás e Iyás.
Todo Babalorixá e toda Iyalorixá recebe também o fundamento oracular para auxiliá-los no exercício de suas funções: o meridinlogun que é o jogo de 16 búzios e o jogo de obi, este ultimo só deve ser usado dentro do ronkó. Estes elementos são considerados sagrados, todo Pai e toda Mãe sabe que a magia faz parte das religiões de matriz africana, e cada qual sabe como fazer em determinada situação.
Estes fundamentos nos foram passados por nossos Babás e Iyás de axé, que por sua vez receberam de nossos ancestrais. Há um eró ou ewó (segredo) que os iniciados sabem que devem respeitar pois os fundamentos são passados de Pais para seus filhos, durante a iniciação e a vivência nos ilês; nós chamamos de segredos de ronkó.
“Enú Ejá pá ejá” nos ensinam os mais antigos, que quer dizer “o peixe morre pela boca!
Aproveitando a oportunidade e respondendo a pergunta da Luciane, Candomblé ou culto aos Orixás, é uma religião brasileira, monoteísta, de matriz africana que marca a resistência do negro no Brasil. Durante a quilombagem, escondidos nas matas os negros receberam influências dos gentios brasileiros, os índios, que lhes mostraram as ervas e plantas brasileiras e a forma de sobreviverem nas matas, marcando os candomblés com suas presenças e suas práticas religiosas.
O Caboclo é reverenciado nos Candomblés.
A Umbanda é uma religião brasileira monoteísta, de raiz africana também, faz culto aos Orixás, mas que recebe em seu bojo grande influência da burguesia branca, Catolicismo, e também dos índios brasileiros. Tem grande influência Bantu, tudo indica que começou a partir das makumbas cariocas, que tinham o hábito de reverenciarem seus ancestrais, que eram os espíritos dos Pais e Mães Velhos.
Mais tarde a Umbanda, recebe influência do Kardecismo e através da figura de Zélio Fernandino de Moraes e do advento do Caboclo das 7 Encruzilhadas, ratifica a Umbanda como nós hoje a conhecemos, marcada pela tríade: Pureza, que nos é ensinada pelas crianças, Fortaleza e vigor que nos é passada pela força adulta dos Caboclos de Umbanda e Sabedoria e humildade que nos é passada através da forma senil dos nossos queridos Pretos e Pretas Velhas.
O assunto é longo e complexo, há muito mais o que se falar, mas vale o resumo.
Peço desculpas aos meus irmãos de outras nações do Candomblé porque me detive no ketu que é onde fui iniciada.
Não poderia deixar de falar do Omolokô, vertente formadora e enriquecedora da Umbanda, quando Tatá Tancredo da Silva Pinto, volta de Angola validando tudo que já existia em termos de Umbanda até então.
Gostaria de comentar também que as diferenças entre as várias vertentes na Umbanda é devido a quantidade de influências africana, indígena e branca e mais recentemente das religiões de matriz orientais, que cada terreiro adota.
A Umbanda é o resultado do turbilhão multicultural que é o Brasil, é universalista porque aceita em seu corpo as diversas influências, é plural porque há várias formas de se fazer Umbanda, e é convergente porque seu objetivo é sempre direcionar todos que a procuram para a verticalidade, ensetando o homem à Deus.
Não é uma "esculhambação" como o entrevistador falou.
Afinal porque deveríamos desprezar o conhecimento humano acumulado se somos seres racionais? A Umbanda faz esta síntese e abre um caminho ímpar no que diz respeito a Caridade.
Saravá, Mucuiú, Motumbá Asè!
Kolofé aos mais velhos.
Mãe Marcia D’Oya.
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